Conhecida por suas estratégias de caça a jacarés, a onça-pintada Medrosa, também chamada de Amber, protagonizou um momento de carinho com os filhotes Selva e Kiaro no Pantanal de Mato Grosso. A cena foi registrada pela fotógrafa de natureza Iara Tonidandel, na região de Porto Jofre, em Poconé, e compartilhada nas redes sociais.
Nas imagens, a fêmea aparece junto aos dois filhotes em uma demonstração de cuidado e proximidade. O registro foi feito em 2 de outubro, durante uma expedição fotográfica pela região, onde a família de felinos foi acompanhada por várias horas.
“Entre os felinos, até o amor tem garras. Mas há uma delicadeza que só a natureza sabe revelar: a força que protege também é capaz de acariciar”, escreveu Iara na publicação.
Medrosa é uma das onças-pintadas conhecidas por pesquisadores, fotógrafos e turistas que frequentam o Parque Estadual Encontro das Águas. Monitorada desde 2016, a fêmea se tornou conhecida pela habilidade de caçar jacarés a partir de galhos de árvores suspensos sobre os rios, de onde observa as presas antes de saltar em direção à água.
A onça também pertence a uma linhagem de felinos acompanhada há anos na região. Ela é filha de Patrícia e neta de Kyra, duas fêmeas identificadas por projetos de monitoramento da espécie. Ao longo de sua vida, Medrosa teve diferentes ninhadas, incluindo os filhotes Rio e Marcela, nascidos em 2021, e Pantaneiro, em 2024.
Os mais novos integrantes da família, Selva e Kiaro, nasceram em 2026 e já foram flagrados em outras ocasiões brincando, subindo em árvores e explorando o ambiente sob a supervisão da mãe.
Apesar de serem animais predominantemente solitários na vida adulta, as onças-pintadas mantêm uma relação próxima com os filhotes durante os primeiros meses de vida. Nesse período, as crias dependem da proteção materna e desenvolvem habilidades essenciais para a sobrevivência, como equilíbrio, coordenação motora e comportamentos relacionados à caça.
Um estudo sobre a reprodução das onças-pintadas no Pantanal, publicado em 2023 no Journal of Mammalogy, estimou em 17,6 meses a idade média em que os filhotes se tornam independentes das mães.
Para Iara, registros como o de Medrosa e seus filhotes também ajudam a aproximar as pessoas da vida selvagem e reforçam a importância da preservação do bioma.
“No Pantanal, o amor é selvagem. E a beleza de preservá-lo também. Porque proteger a vida selvagem é também um ato de amor”, destacou a fotógrafa.